18/03/14

Ainda sobre a Igualdade de Género

Em comemoração do Dia da Mulher decidimos falar com as crianças que acompanhamos sobre igualdade de género.Antes, tentamos perceber as suas percepções sobre as mulheres e os homens. Deixo aqui as conclusões das crianças:



Homem:
ü  “Trabalha no Pc”
ü  “Joga futebol”
ü  “Faz comida (às vezes, muito pouco provável) ”
ü  “Leva os filhos à escola"
ü  “O homem nunca se maquilha nem pinta as unhas”
ü  “Oh Beatriz, esqueci-me de uma coisa que é só mesmo os homens que fazem: Os homens fazem as obras das casas”

Mulher:
ü  “Embalam os bebés”
ü  “As mulheres têm mais paciência do que os homens”
ü  “As mulheres têm a fúria de limpar a casa”
ü  “É uma pessoa do sexo feminino”
ü  “Mulheres carinhosas, amorosas e sensíveis”

Após alguma conversa e discussão algumas crianças acabaram por dizer que embora fossem meninas gostavam de brincar com carrinhos e conheciam meninos que brincavam com bonecas e que afinal não havia assim tantas diferenças entre os homens e mulheres e que todos deveriam ser tratados com respeito.

Pode ser que tenhamos dado um pequenino passo num caminho que se adivinha longo.

Boa noite a todos e todas :)




08/03/14

Igualdade

Hoje tenho apenas um pedido:
Mulheres, eduquem os vossos filhos na e para a igualdade de género!


Deixo aqui uma frase que vi num filme sobre o tema: "A minha liberdade como homem está na tua liberdade enquanto mulher"

É urgente educar para a igualdade!

Feliz dia da mulher!
B

04/03/14

Domigo à tarde




Acabei a tarde de Domingo chuvosa num "festival de vizinhos" a ouvir poemas de Natália Correia.



 Decididamente a palavra
quer entrar no poema e dispõe
com caligráfica raiva
do que o poeta no poema põe.

Entretanto o poema subsiste
informal em teus olhos talvez
mas perdido se em precisa palavra
significas o que vês.

Virtualmente teus cabelos sabem
se espalhando avencas no travesseiro
que se eu digo prodigiosos cabelos
as insólitas flores que se abrem
não têm sua cor nem seu cheiro.

Finalmente vejo-te e sei que o mar
o pinheiro a nuvem valem a pena
e é assim que sem poetizar
se faz a si mesmo o poema.

Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"

"Agir local,pensar global"- Graça ao Reverso 2014


18/02/14

Um buraco no teto



Esta é a última página do meu 3º caderno de registos  (nunca pensei conseguir completar um, quanto mais 3). E conta a história de um dos meus sítios favoritos.
Este é o meu sótão, que apesar de ter sido sempre um simples sótão, já foi também muitas outras coisas. Não só fisicamente, mas especialmente na minha imaginação.
Cheguei a esta casa com cinco anos acabados de fazer e menos dois dentes. Ao fundo do corredor, mesmo ao pé do meu quarto, havia um buraco, que era um círculo perfeito desenhado no teto. Uma espécie de entrada para o país das maravilhas, mas ao contrário.
Passado algum tempo, lá trouxeram um escadote instável que ligava o chão ao teto e que eu adorava por dois motivos: em primeiro lugar, só os mais destemidos, como eu, é que tinham a ousadia de o subir e, por outro, os bebés da família apelidados de “destruidores de brincadeiras” não podiam subir.
Muito tempo depois, o meu tio Vasco e outros senhores vieram montar uma linda escada em caracol toda trabalhada em ferro que rapidamente se transformou num escorrega.
A minha mãe, temendo o monopólio da rainha Beatriz, que já tinha conquistado todos os territórios possíveis e imaginários daquele país a que chamava “sótão”, veio estabelecer um tratado onde foram definidas as fronteiras do meu território (que diminuiu consideravelmente). No entanto, o meu desejo de expansão e de conquista de novos territórios teve sempre presente, embora com avanços e recuos, principalmente quando a mãe trazia novas tropas aleando-se à Tia Anita (aquela tia que adora limpezas, e pior! Deitar coisas fora).
Pois bem, contentei-me com o meu “cantinho” e transformei-o numa linda cidade da Barbie. Mais tarde numa escola onde obrigava os meus primos a pesados trabalhos, mesmo durante as férias de Verão. Durante os encontros de família foi também palco de festivais onde apresentávamos os nossos números ao resto da família.
Aos 14 anos, arrumei os brinquedos em caixas e o meu cantinho passou a ser um estúdio de dança. Foi aqui que tanto me esforcei nas espargata e rodas e me preparei para as competições de ginástica.
Fui crescendo e das brincadeiras de tardes infindáveis com os meus primos, passamos para as noites e primeiras diretas, com todos os meus amigos dentro de sacos de cama, em cima do telhado a ver as estrelas, quando a amizade era realmente a única coisa que importava e vivíamos os dias até ao limite.
Mais tarde, o meu "cantinho" foi transformado em biblioteca. Pousam nas suas prateleiras o meu crescimento. Desde a coleção da Anita ao “Clube das Amigas”, do  “Memorial do  Convento” aos livros de teorias de Jornalismo e História, entre tantos outros, empilhados no chão sem espaço na prateleira.
Hoje, é o meu sítio seguro. O sítio a que volto e me reencontro quando me julgo perdida . O sítio onde sei que cada coisa está exatamente no sítio onde deixei há não sei quantos anos atrás quando me mudei para Lisboa, como se o tempo tivesse parado no momento em que parti. Saber isso, acalma-me e reconforta-me a alma em dias mais turbulentos. Saber que ao chegar vou sentir o cheiro dos livros, ouvir a chuva a bater no telhado, que o gira-discos contínua sem tocar e que todas as tralhas da mãe vão estar espalhadas pelo chão à espera que alguém as arrume na dispensa.
Aninho-me no sofá a ler um bom livro e, por momentos, volto ao “país das maravilhas” e não dou pelo tempo passar. 
É esta a magia dos sótãos: nunca se dá pelo tempo passar.

com amor,
B


20/01/14

Perseguição ao almoço!

Toda a gente que me conhece, conhece e convive também com o meu maior defeito que é ser distraída. E toda a gente já sabe que este defeito, que bem caracteriza a minha pessoa e não deixa mentir em relação ao meu pertence à família paterna, sabe que luto constantemente para o combater.
Desde post-its, listas infindáveis de coisas a "Não Esquecer",  lembretes no telemóvel e ralhetes da senhora mãe! Tudo serve como estratégia para combater o terrível defeito.
O que é certo, é que há coisas tão corriqueiras do dia-a-dia que não justificam um lembrete, como o facto de sair do autocarro e deixar o almoço lá dentro.
Pois é, após um soninho durante uma longa viagem de autocarro (que, diga-se de passagem, soube mesmo bem àquela hora da manhã) e de me ter esquecido que era a última paragem, deixando-me ficar a "dormitar de olhos abertos", saí a correr para tratar de burocracias, antes que desse a hora de entrada no trabalho.
Feliz por ter resolvido a burocracia (que andava a evitar tratar há meses) eis- que alguém (mãe curiosa) me pergunta o que tinha feito para o almoço. Após ter olhado para as mãos, que estavam completamente vazias, comecei a correr desenfreadamente e entrei em dois "trinta e cinco" que estavam ali parados à procura do meu almoço.
Já sem esperança de encontrar a minha marmita (prenda de natal novinha em folha) e a pensar que só a poderia reaver, vários dias depois, aos perdidos e achados no Marquês, fui-me lamentando até o autocarro (também ele um 35) que me levaria de volta ao trabalho.
Após confessar o meu triste acontecimento ao motorista, eis-que este esfrega as mãos,e percebi, pelos seus olhos de entusiasmo, que começaria ali uma aventura em busca do meu almoço :) !!!!
-" A menina não se preocupe porque vai almoçar hoje!." E estas palavras bastaram para reaver a minha esperança perdida.
E aqui começou a nossa perseguição:
Tentativa número um: falar com a central via rádio (fiquei a perceber que o rádio não funciona, ainda bem que não era nada muito grave).
Tentativa número 2: falar com a central via telefone - SUPERADA
Passo seguinte: todos os autocarros "735" receberam a seguinte mensagem, um pouco constrangedora para mim, devo confessar :  " Jovem perdeu almoço no autocarro das 9 horas, saco verde e branco!"
Após a mensagem, ficamos a saber que o meu almoço viajava no autocarro 735 chapa 2 que estava a chegar ao Cais do Sodré (o último destino deste autocarro).
Como não tínhamos maneira de contactar o motorista, pedimos à sorte que nos cruzássemos com ele algures na nossa viagem, que segundo as contas do meu, recente, amigo motorista, seria algures na Paiva Couceiro.Eu já havia passado o meu destino há muito tempo e teria de fazer a viagem de volta, mas algo me dizia que sairia vitoriosa desta aventura!
Não foi na Paiva Couceiro, mas foi quase, saltei de um autocarro para outro, literalmente, e reavi o meu almoço. E ainda, 2 viagens e meia de 735 depois, cheguei a horas ao trabalho!
Feliz pela conquista e por toda esta energia logo pela manhã, tive o seguinte pensamento:
Odeio ser distraída, mas adoro estes momentos de adrenalina que a minha distracção me proporciona! Contra todas as perspectivas da minha mãe, que me enviou a seguinte mensagem :"cabecinha tonta", desfrutei o meu almoço que me soube, neste dia, duplamente bem.

Boa noite*