Dias em que a alma acalma e recolhe o coração no quentinho da casa*
São linhas simples e descomprometidas que narram as minhas descobertas diárias na cidade que me viu chegar de armas e bagagens. Sentimentos, caras, conversas, olhares, descobertas, tudo o que passa por mim e me faz parar algum tempo, que me faz ficar imóvel enquanto tudo se move ao ritmo estonteante da cidade "Happiness is only real when shared." (Christopher McCandless)
26/03/17
A mão que embala o berço
A mão que embala o berço é a mão que governa o mundo. E foram as mãos que me embalaram que anos mais tarde tricotaram o símbolo da resistência, para que eu nunca me esqueça que o lugar da mulher é onde ela quiser.
A verdade é que, as mãos que embalam o berço, são as mãos de mães e mulheres que têm em si o poder de educar para que daqui a alguns anos não seja preciso reivindicar absolutamente nada neste dia.
A verdade é que, as mãos que embalam o berço, são as mãos de mães e mulheres que têm em si o poder de educar para que daqui a alguns anos não seja preciso reivindicar absolutamente nada neste dia.
10/02/17
Cidade emprestada, cidade partilhada
Elas são como um furacão. Chegam e invadem Lisboa, trazem o sol e a chuva e as malas carregadas de ligações à terra.
Invadem a minha casa, a minha cama e o meu coração.
Chegam, fazem-se notar e deixam rasto em forma de arroz de verduras e soupa a arrefecer em cima do balcão.
São elas as melhores amigas que posso ter, sempre prontas a dar e a tirar a corda e a passar uma manhã na lavandaria a lavar roupa. A descobrir Lisboa a pé.
Chegam, impõem a ordem e metem os meus pés no chão.
E depois vão, e eu, por entre a saudade, restabeleço o meu equilíbrio.
Invadem a minha casa, a minha cama e o meu coração.
Chegam, fazem-se notar e deixam rasto em forma de arroz de verduras e soupa a arrefecer em cima do balcão.
São elas as melhores amigas que posso ter, sempre prontas a dar e a tirar a corda e a passar uma manhã na lavandaria a lavar roupa. A descobrir Lisboa a pé.
Chegam, impõem a ordem e metem os meus pés no chão.
E depois vão, e eu, por entre a saudade, restabeleço o meu equilíbrio.
24/01/17
Desejos
Os mês já vai no fim, mas para mim não há mês melhor ou pior para fazer balanços e pedir desejos. Todos os dias são de reflexão , todos os dias são oportunidades mágicas para que os nossos desejos se realizem.
Enquanto me demoro nas minhas reflexões, delicio-me com os desejos destas minhas pessoas de palmo e meio. Tão simples e concretos nos seus pedidos. Desejos tão ingénuos que nos arrancam um sorriso.
Espero que de alguma forma, os seus desejos se realizem.
Enquanto me demoro nas minhas reflexões, delicio-me com os desejos destas minhas pessoas de palmo e meio. Tão simples e concretos nos seus pedidos. Desejos tão ingénuos que nos arrancam um sorriso.
Espero que de alguma forma, os seus desejos se realizem.
03/01/17
Recortes do meu Natal
Tp 1630, 21h00 . O avião
oferece-nos o último presente de natal quando dá a volta para se colocar em posição de
descolagem e temos um último vislumbre da nossa ilha toda iluminada.
Desligo o telemóvel quando soa o aviso do chefe de cabine. Olho para o lado e a rapariga deixou o telemóvel em cima da mesa, consigo ler um “gosto de ti” enviado para a mãe. Também eu tinha feito o mesmo minutos antes. É impossível não dizer o quanto nos amamos quando temos um bilhete sem data de regresso, quando passados sete anos, a lágrima cai ao subirmos as escadas rolantes e vemos os nossos mais queridos a desaparecer à medida que a escada sobe.
Mais um natal. Cada vez tenho menos presentes debaixo da árvore, cada vez venho menos tempo, mas cada vez vivo-o mais intensamente. Porque há medida que o tempo passa são os natais a única oportunidade do ano para ver todos aqueles que mais gosto. E ainda assim faltou o Rodrigo, a tia Dalila, tio Gonçalo e as primas.
Foram quatro dias intensos, onde o pouco encheu-se de sentimentos tão bons que não deixou nenhum espacinho para sentimentos maus.
Olho para aminha árvore Natal que a mãe fez tão dedicadamente e peço com muita força que por mais longe que a vida me leve, retorne sempre a casa para um Natal. E que os meus filhos um dia também saibam o que é acordar aqui com o cheiro da carne de vinho alhos, que bebam do cacau quente e que riam e chorem na troca de presentes.
E que eu possa sempre ter-vos a todos na minha vida. A tia Anita que chora sempre,;o tio Paulo que só diz disparates,;o tio Lourenço, que, no dia de Natal, recebe sempre uma chamada para abrir uma porta; o avô que oferece sempre prendas para os animais da família; a Cristininha que me estica o cabelo e maquilha; a tia Helena que só ouve de um ouvido; a Mariana que dança sempre comigo; a Tia Luísa que coze os brócolos duas vezes e que se discai no amigo secreto; o tio Rui que regista sempre tudo; a minha mãe que tão bem quer receber e que decora a casa de toda a gente; a Alexandra que faz os melhores comentários à troca de prendas; a Marina que faz uma declaração de amor ao marido; o Pedro corajoso que decidiu entrar na loucura desta família, a Tia Ana que pede para não fazermos tanto barulho; o Joel, que cozinha sempre com tanto amor; a tia Cristina que faz equipa com o Joel e frita o pão da carne; a Leonor que se atrasa sempre e a Margarida que passa o dia a fazer favores a toda a gente; o outro tio Rui que faz truques de magia; a tia Dalila que dança e o Marco que ainda não me deixou andar de mota; a tia Rita que faz as suas prendas à mão e o Francisco que brinca com os gatos.
Volto para Lisboa tão cheia de amor trago pedacinhos de Natal para distribuir por toda a gente. Porque nós somos assim, queremos a felicidade que temos para todos e então, com todo o amor, a Tia Anita e a mãe, colocam tarte de maçã, carne de vinho e alhos, broas e licores em pequenas tacinhas na mala de todos aqueles que partem após o Natal. como forma de agradecer às pessoas que de longe também vão olhando por nós.
Desligo o telemóvel quando soa o aviso do chefe de cabine. Olho para o lado e a rapariga deixou o telemóvel em cima da mesa, consigo ler um “gosto de ti” enviado para a mãe. Também eu tinha feito o mesmo minutos antes. É impossível não dizer o quanto nos amamos quando temos um bilhete sem data de regresso, quando passados sete anos, a lágrima cai ao subirmos as escadas rolantes e vemos os nossos mais queridos a desaparecer à medida que a escada sobe.
Mais um natal. Cada vez tenho menos presentes debaixo da árvore, cada vez venho menos tempo, mas cada vez vivo-o mais intensamente. Porque há medida que o tempo passa são os natais a única oportunidade do ano para ver todos aqueles que mais gosto. E ainda assim faltou o Rodrigo, a tia Dalila, tio Gonçalo e as primas.
Foram quatro dias intensos, onde o pouco encheu-se de sentimentos tão bons que não deixou nenhum espacinho para sentimentos maus.
Olho para aminha árvore Natal que a mãe fez tão dedicadamente e peço com muita força que por mais longe que a vida me leve, retorne sempre a casa para um Natal. E que os meus filhos um dia também saibam o que é acordar aqui com o cheiro da carne de vinho alhos, que bebam do cacau quente e que riam e chorem na troca de presentes.
E que eu possa sempre ter-vos a todos na minha vida. A tia Anita que chora sempre,;o tio Paulo que só diz disparates,;o tio Lourenço, que, no dia de Natal, recebe sempre uma chamada para abrir uma porta; o avô que oferece sempre prendas para os animais da família; a Cristininha que me estica o cabelo e maquilha; a tia Helena que só ouve de um ouvido; a Mariana que dança sempre comigo; a Tia Luísa que coze os brócolos duas vezes e que se discai no amigo secreto; o tio Rui que regista sempre tudo; a minha mãe que tão bem quer receber e que decora a casa de toda a gente; a Alexandra que faz os melhores comentários à troca de prendas; a Marina que faz uma declaração de amor ao marido; o Pedro corajoso que decidiu entrar na loucura desta família, a Tia Ana que pede para não fazermos tanto barulho; o Joel, que cozinha sempre com tanto amor; a tia Cristina que faz equipa com o Joel e frita o pão da carne; a Leonor que se atrasa sempre e a Margarida que passa o dia a fazer favores a toda a gente; o outro tio Rui que faz truques de magia; a tia Dalila que dança e o Marco que ainda não me deixou andar de mota; a tia Rita que faz as suas prendas à mão e o Francisco que brinca com os gatos.
Volto para Lisboa tão cheia de amor trago pedacinhos de Natal para distribuir por toda a gente. Porque nós somos assim, queremos a felicidade que temos para todos e então, com todo o amor, a Tia Anita e a mãe, colocam tarte de maçã, carne de vinho e alhos, broas e licores em pequenas tacinhas na mala de todos aqueles que partem após o Natal. como forma de agradecer às pessoas que de longe também vão olhando por nós.
15/12/16
O meu telemóvel não durou um mês
O meu telemóvel tem duas semanas e já tem o ecrã partido. Às vezes pergunto-me como consigo tão bem cuidar de 20 crianças tao frágeis, sensíveis e pequeninas e não duro mais de dois minutos com um aparelho eletrónico.
Se é coisa que 2016 me ensinou é a desprender-me dos bens materiais. Despedi-me do meu surface que foi atropelado, roubaram-me o telemóvel no elétrico, e, agora, passado duas semanas, parto o ecrã do telemóvel novinho em folha.
E sei, são só bens materiais, mas gostava de ter desfrutado um pedacinho mais de um telemóvel impecável com o dourado a reluzir.
Universo, caso ainda não tenhas percebido eu já percebi a lição :) o mais importante não são os bens materiais. Chega de testes!
Se é coisa que 2016 me ensinou é a desprender-me dos bens materiais. Despedi-me do meu surface que foi atropelado, roubaram-me o telemóvel no elétrico, e, agora, passado duas semanas, parto o ecrã do telemóvel novinho em folha.
E sei, são só bens materiais, mas gostava de ter desfrutado um pedacinho mais de um telemóvel impecável com o dourado a reluzir.
Universo, caso ainda não tenhas percebido eu já percebi a lição :) o mais importante não são os bens materiais. Chega de testes!
10/12/16
Diários de uma Monitora (sobre os rituais)
Se era coisa que adorava quando era miúda era esperar por algo. Saber que depois das férias começava a escola, que vinha o Outono e com ele os meus anos, o S. Martinho e o Natal, o Carnaval a Páscoa e novamente o Verão e todas as tradições e rituais que inventamos e que se repetiam ano após ano.
Adorava a forma como me preparava para cada uma delas, o dia em que eu e a mãe forrávamos os livros e colávamos cuidadosamente as etiquetas, o meu saco do pão-por-deus, o calendário do advento que antecipava o natal, o embrulhar as prendas ao som do natal dos hospitais, pensar no fato de carnaval,etc
Os rituais que acompanham a natureza e nos embalam em cada estação, fazem-nos aceitar (e festejar) a passagem do tempo e receber em nós todos os dias do ano como um dia único. Acalmam-nos pela sua previsibilidade. Aconteça o que acontecer virá sempre o Natal :)
É por isso, que, este ano, decidi voltar às tradições e tento ao máximo criar, nas nossas rotinas, rituais que nos fazem preparar em conjunto cada estação, cada acontecimento em sintonia com a natureza em especial com as crianças mais pequenas. Rituais esses que nos deixam mais tranquilos e serenos perante o mundo caótico em que vivemos, que não nos tornam tão ansiosos. Que nos fazem parar, preparar ,e, sobretudo esperar (que cada vez é mais difícil nas nossas crianças) pondo todo o nosso amor antes da chegada de qualquer acontecimento, fazendo com que depois vivamos esse momento com mais profundidade e sentido.
Por isso, este ano, esperamos pelo S.Martinho preparando as nossas lanternas, esperamos que o feijão verde e o tomate crescessem na nossa horta e agora pelo natal, decorando a nossa sala devagarinho e respondendo aos desafios do calendário do advento que nos fará ser pessoas pequeninas melhores.
Sabendo que é importante criar tradições e rituais novos, é também importante manter tudo o que eles já trazem de outros anos, de outras professoras e respeitar as dinâmicas já implementadas em cada escola. Esse equilíbrio é necessário, é um balanço entre as nossas expectativas e tudo aquilo que eles já trazem com eles e é aqui que temos de encontrar um equilíbrio.
Adorava a forma como me preparava para cada uma delas, o dia em que eu e a mãe forrávamos os livros e colávamos cuidadosamente as etiquetas, o meu saco do pão-por-deus, o calendário do advento que antecipava o natal, o embrulhar as prendas ao som do natal dos hospitais, pensar no fato de carnaval,etc
Os rituais que acompanham a natureza e nos embalam em cada estação, fazem-nos aceitar (e festejar) a passagem do tempo e receber em nós todos os dias do ano como um dia único. Acalmam-nos pela sua previsibilidade. Aconteça o que acontecer virá sempre o Natal :)
É por isso, que, este ano, decidi voltar às tradições e tento ao máximo criar, nas nossas rotinas, rituais que nos fazem preparar em conjunto cada estação, cada acontecimento em sintonia com a natureza em especial com as crianças mais pequenas. Rituais esses que nos deixam mais tranquilos e serenos perante o mundo caótico em que vivemos, que não nos tornam tão ansiosos. Que nos fazem parar, preparar ,e, sobretudo esperar (que cada vez é mais difícil nas nossas crianças) pondo todo o nosso amor antes da chegada de qualquer acontecimento, fazendo com que depois vivamos esse momento com mais profundidade e sentido.
Por isso, este ano, esperamos pelo S.Martinho preparando as nossas lanternas, esperamos que o feijão verde e o tomate crescessem na nossa horta e agora pelo natal, decorando a nossa sala devagarinho e respondendo aos desafios do calendário do advento que nos fará ser pessoas pequeninas melhores.
Sabendo que é importante criar tradições e rituais novos, é também importante manter tudo o que eles já trazem de outros anos, de outras professoras e respeitar as dinâmicas já implementadas em cada escola. Esse equilíbrio é necessário, é um balanço entre as nossas expectativas e tudo aquilo que eles já trazem com eles e é aqui que temos de encontrar um equilíbrio.
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