Querido/a filho/a,
Neste momento da minha vida em que te escrevo tu nem sequer existes, nem sequer és um plano de curto prazo, nem sequer fazes parte do meu pensamento nem das minhas prioridades.
Parece estranho que te esteja a escrever, visto que neste momento és apenas uma possibilidade que pode até nunca vir a acontecer. Mas talvez um dia também tenhas 22 anos e a vida te pareça um bocadinho preta e branca e aí irás lembrar-te do que te escrevi nos meus 22.
Filho/a espero do fundo do meu coração que cresças com convicções fortes e sólidas, mesmo que não sejam iguais às minhas, desejo que as tenhas e que as defendas, que olhes à tua volta e não fiques de braços cruzados nem optes pelo caminho mais fácil. Espero que tenhas a capacidade e direito de promover a mudança à tua volta e de lutares por aquilo em que acreditas.
Se fores uma menina espero que saibas que podes ser aquilo que entenderes independentemente dos estereótipos de género, independentemente da roupa ou da maquilhagem, dos sapatos de salto ou dos decotes. Não precisas da aparência para conquistar o respeito dos outros. Quero que saibas que tens o direito de ser respeitada!Que tens o direito de ser bem tratada apenas por teres nascido. Tens o direito de ser respeitada enquanto mulher, enquanto ser-humano.
Se fores um menino quero que saibas que ser homem é sentir-se bem consigo mesmo, e sentires-te bem contigo mesmo ao ponto de não precisares de desrespeitar nem rebaixar as outras pessoas só para te sentires bem.Que podes e deves lavar o chão, cozinhar, tratar da roupa e ajudar nas tarefas domésticas sem que te tenhas de preocupar com a tua masculinidade. Podes fazer, pensar e agir como quiseres porque não és "menos homem" devido a isso.
Sejas rapaz ou rapariga quero que saibas que não tens de tolerar seres maltratado/a. Nunca!
Quero que saibas que vais errar muitas vezes, que isso fará parte do teu crescimento e que muitas vezes te vão fazer sentir mal por teres errado.Mas que não faz mal, o erro é necessário.
com amor,
Beatriz Camacho
São linhas simples e descomprometidas que narram as minhas descobertas diárias na cidade que me viu chegar de armas e bagagens. Sentimentos, caras, conversas, olhares, descobertas, tudo o que passa por mim e me faz parar algum tempo, que me faz ficar imóvel enquanto tudo se move ao ritmo estonteante da cidade "Happiness is only real when shared." (Christopher McCandless)
23/08/14
30/07/14
Diários de uma monitora de ATL II
Quinta feira, 30 de Julho de 2014
Neste dia, sentia-se no ar o ambiente típico dos últimos dias. Embora estivesse programada uma ida à praia no dia seguinte (último dia), as crianças decidiram organizar uma festa em jeito de despedida.
Eu não poderia estar mais contente, há muito que delegávamos responsabilidades de organização às crianças e cada vez corria melhor, nesta altura do ano, as monitoras apenas davam pequenas orientações, o que era muito satisfatório.
O mês de Julho estava a acabar, e, embora nesta altura em menor quantidade, havia ainda um grupo de crianças que já estavam comigo desde Outubro, a tempo inteiro desde o dia 6 Junho. Passávamos muito tempo juntos, desde as 8h30 às 18h00 e eu senti que cresceram mais nestas férias do que durante todo o ano letivo. Sem dúvida que o caráter mais descontraído e facultativo das atividades que preparamos para as férias lhes deu maior prazer e motivação, e a nós, monitoras, permitiu trabalhar outras competências e projetos que, devido às limitações de horário, nos era impossível trabalhar durante o ano letivo.
Foi uma tarefa difícel a de preencher as férias das nossas crianças, equilibrando entre tempos livres e atividades organizadas. Mas acho que nos saímos bem a contar pelos sorrisos e pela recusa em ir para casa no final do dia. Ao olhar para o ATL sentia que se fosse criança gostaria de ali estar.
O facto de não termos recursos para atividades mais" radicais "e saídas todos os dias, só aumentou a criatividade das nossas crianças que com pouco criaram atividades e brincadeiras dignas dos melhores "Campos de Férias", aproveitando paletes para abrigos numa guerra de balões de água ou brincando aos fantasmas com aquilo que estava mais à mão.
A maior conquista deste Verão foi olhar para as minhas crianças e sentir que somos um grupo que é feliz à sua maneira!
Neste dia, sentia-se no ar o ambiente típico dos últimos dias. Embora estivesse programada uma ida à praia no dia seguinte (último dia), as crianças decidiram organizar uma festa em jeito de despedida.
Eu não poderia estar mais contente, há muito que delegávamos responsabilidades de organização às crianças e cada vez corria melhor, nesta altura do ano, as monitoras apenas davam pequenas orientações, o que era muito satisfatório.
O mês de Julho estava a acabar, e, embora nesta altura em menor quantidade, havia ainda um grupo de crianças que já estavam comigo desde Outubro, a tempo inteiro desde o dia 6 Junho. Passávamos muito tempo juntos, desde as 8h30 às 18h00 e eu senti que cresceram mais nestas férias do que durante todo o ano letivo. Sem dúvida que o caráter mais descontraído e facultativo das atividades que preparamos para as férias lhes deu maior prazer e motivação, e a nós, monitoras, permitiu trabalhar outras competências e projetos que, devido às limitações de horário, nos era impossível trabalhar durante o ano letivo.
Foi uma tarefa difícel a de preencher as férias das nossas crianças, equilibrando entre tempos livres e atividades organizadas. Mas acho que nos saímos bem a contar pelos sorrisos e pela recusa em ir para casa no final do dia. Ao olhar para o ATL sentia que se fosse criança gostaria de ali estar.
O facto de não termos recursos para atividades mais" radicais "e saídas todos os dias, só aumentou a criatividade das nossas crianças que com pouco criaram atividades e brincadeiras dignas dos melhores "Campos de Férias", aproveitando paletes para abrigos numa guerra de balões de água ou brincando aos fantasmas com aquilo que estava mais à mão.
A maior conquista deste Verão foi olhar para as minhas crianças e sentir que somos um grupo que é feliz à sua maneira!
17/07/14
Todos os dias...
Todos os dias há alguém que me quer fazer uma trança. Todos os dias há alguém que me vem contar um segredo que eu já sei. Todos os dias há discussões.Todos os dias há abraços e gestos de solidariedade. Todos os dias inventamos uma brincadeira nova. Todos os dias há sempre alguém mais sensível que não quer brincar e só precisa de abraços e miminhos. Todos os dias abro o meu livro no intervalo da hora do almoço, mas só leio uma frase. Todos os dias oiço chamar pelo meu nome mais de 50 vezes.
Todos os dias há gritos, mas também há gargalhadas. Todos os dias descobrimos uma coisa que ainda não sabíamos sobre alguém.Todos os dias alguém é picado por uma abelha.Todos os dias há alguém cansado que quer ser levado às cavalitas. Todos os dias há arranhões e feridas que saram com pós mágicos. Todos os dias eles crescem mais um pedacinho.Todos os dias aprendemos a ser um grupo.Todos os dias temos de "expulsá-los" na hora de ir embora . Todos os dias, por entre todas as responsabilidades e tarefas, sou também eu um pedacinho criança, e eles adoram!
Hoje foi bonito vê-los a brincar ao lencinho vai na mão e ao barqueiro, atividades que poderiam ser mais infantis para os meus, auto-intitulados, "pré-adolescentes". Todos os dias eles só precisam de um sítio seguro onde possam ainda ser crianças.
Todos os dias eles surpreendem-me.E há dias que o coração vem cheio.
Todos os dias há gritos, mas também há gargalhadas. Todos os dias descobrimos uma coisa que ainda não sabíamos sobre alguém.Todos os dias alguém é picado por uma abelha.Todos os dias há alguém cansado que quer ser levado às cavalitas. Todos os dias há arranhões e feridas que saram com pós mágicos. Todos os dias eles crescem mais um pedacinho.Todos os dias aprendemos a ser um grupo.Todos os dias temos de "expulsá-los" na hora de ir embora . Todos os dias, por entre todas as responsabilidades e tarefas, sou também eu um pedacinho criança, e eles adoram!
Hoje foi bonito vê-los a brincar ao lencinho vai na mão e ao barqueiro, atividades que poderiam ser mais infantis para os meus, auto-intitulados, "pré-adolescentes". Todos os dias eles só precisam de um sítio seguro onde possam ainda ser crianças.
Todos os dias eles surpreendem-me.E há dias que o coração vem cheio.
29/06/14
3 dias com a minha mãe
Quando a mãe está em casa o jantar cheira da porta da rua.Quando a mãe está em casa os problemas parecem desaparecer.Quando a mãe está em casa subo a rua a correr para estar mais cinco minutos com ela.Quando a mãe está em casa voltamos à feira do livro. Quando a mãe está em casa empurra-me na bicicleta para ganhar balanço.Quando a mãe está em casa a minha lancheira do almoço enche-se de coisas boas.Quando a mãe está em casa a minha roupa deixa de ter buracos.
Quando a mãe está em casa esta casa que não é a minha casa torna-se mais casa.
Sim. Sou a menina da mamã, mas a mamã também é a minha menina!
Quando voltar a ver a minha mãe já estarei quase nos 23. O meu cabelo estará mais comprido porque cortar o cabelo em Lisboa é caro. A minha pele estará um pouco mais morena e o cabelo mais loiro.
Um Verão inteiro terá passado por mim sem que eu sequer me tenha apercebido. Terei passado o meu primeiro Verão longe de casa.Terei visto os meus amigos todos abalarem para casa.
E pela primeira vez, Verão passa depressa :) !
Quando a mãe está em casa esta casa que não é a minha casa torna-se mais casa.
Sim. Sou a menina da mamã, mas a mamã também é a minha menina!
Quando voltar a ver a minha mãe já estarei quase nos 23. O meu cabelo estará mais comprido porque cortar o cabelo em Lisboa é caro. A minha pele estará um pouco mais morena e o cabelo mais loiro.
Um Verão inteiro terá passado por mim sem que eu sequer me tenha apercebido. Terei passado o meu primeiro Verão longe de casa.Terei visto os meus amigos todos abalarem para casa.
E pela primeira vez, Verão passa depressa :) !
22/06/14
Alice no País das Maravilhas
A Alice no País das Maravilhas sempre foi uma das minhas histórias
preferidas, porque faz-me sempre ver o Mundo de outras perspetivas, quando
estou demasiado formatada pelo mundo em que vivemos. Por vezes é preciso ficar
demasiado grande, ou ver o Mundo pelos olhos dos pequeninos, ou cair num buraco
onde tudo flutua para encontrarmos determinadas respostas.
A Alice é também uma das personagens preferidas do Tiago, uma das crianças que acompanho e o autor destes desenhos. O Tiago tem também o seu próprio "País das Maravilhas" e às vezes, vamos os dois passear por lá através dos seus desenhos :)
"Eu não sou louco a minha realidade é apenas diferente da tua" (Alice no País das Maravilhas).
A Alice é também uma das personagens preferidas do Tiago, uma das crianças que acompanho e o autor destes desenhos. O Tiago tem também o seu próprio "País das Maravilhas" e às vezes, vamos os dois passear por lá através dos seus desenhos :)
"Eu não sou louco a minha realidade é apenas diferente da tua" (Alice no País das Maravilhas).
14/06/14
Subscrever:
Mensagens (Atom)