São linhas simples e descomprometidas que narram as minhas descobertas diárias na cidade que me viu chegar de armas e bagagens. Sentimentos, caras, conversas, olhares, descobertas, tudo o que passa por mim e me faz parar algum tempo, que me faz ficar imóvel enquanto tudo se move ao ritmo estonteante da cidade "Happiness is only real when shared." (Christopher McCandless)
01/01/15
Enjoy the ride
Começo um novo ano com olhos brilhantes desejosos de conhecer tudo o que há de vir. Com a boca cheia de palavras de amor para dar, braços para abraçar. Um corpo que me irá levar a sítios que eu nunca conheci.
Há uma beleza enorme em cuidar e esperar por um novo dia.
Estou a crescer, e o mundo abre-se a mim numa imensidão de dias para viver, entro na idade adulta e tenho o poder de realizar os meus sonhos, e eu sei que um oceano de possibilidades vão surgir. Vou encontrar a liberdade de escolher o meu próprio caminho
Deixo um ano de sonhos realizados, outros que ficaram para trás, outros que se encontraram.
Deixo para trás memórias de uma aldeia perdida, de um novo país, de levantar-me e lutar pelos meus direitos.. e pelos direitos dos outros.
Eu não sei o que o futuro tem para mim, mas tenho a certeza que irei sempre usar tudo o que aprendi e o meu tempo para dedeicar-me aos outros..
Mudar aquele bocadinho de realidade que está à minha volta.
Há uma beleza enorme em cuidar e esperar por um novo dia.
Estou a crescer, e o mundo abre-se a mim numa imensidão de dias para viver, entro na idade adulta e tenho o poder de realizar os meus sonhos, e eu sei que um oceano de possibilidades vão surgir. Vou encontrar a liberdade de escolher o meu próprio caminho
Deixo um ano de sonhos realizados, outros que ficaram para trás, outros que se encontraram.
Deixo para trás memórias de uma aldeia perdida, de um novo país, de levantar-me e lutar pelos meus direitos.. e pelos direitos dos outros.
Eu não sei o que o futuro tem para mim, mas tenho a certeza que irei sempre usar tudo o que aprendi e o meu tempo para dedeicar-me aos outros..
Mudar aquele bocadinho de realidade que está à minha volta.
It´s a long hard road, but is beautifull
(unifyer)
28/12/14
What being home for Christmas means
Chego cheia de vontade de melhorar a minha técnica e tenho companhia| a mãe e os seus projetos de natal que vão pela noite dentro| a felicidade do natal é também fazer alguém feliz e digo adeus ao meu urso de infância |regresso à minha escola primária e a lembrança de descer a rampa a correr de braços abertos para abraçar quem me vinha buscar | nunca estou sozinha | concentração com mais exercícios de balett, manter o foco |o fiel companheiro da mãe nos preparativos para natal (plantar as searas e escolher as receitas) | "O amor acontece" e é natal |flores de natal para a avó sempre presente| depois da ceia de natal enquanto esperamos que cheguem da missa do galo o sono vai pesando| o dia de natal e a prenda do pai natal no sapatinho| a mesa das sobremesas e a frase "para o ano temos de fazer menos, isto é um exagero!" cada ano há mais | a troca de prendas com os de longe| a troca de prendas é sempre divertida e um marco da família | a tia Anita chora sempre | atentos à adivinha e quadras para saber quem é o seu amigo secreto | os papelinhos dos amigos secretos para o ano | a noite cai, ficam os mais resistententes e acabamos a noite com músicas de outros tempos, danças e conversas.o Tio Rui diz sempre que sou a melhor bailarina.
Natal
Há 6 anos que o meu natal começa com um fazer de mala, sem tempo. Com roupas mal dobradas e engelhadas jogadas e forçadas a caber numa mala que não quer fechar.
Começa ainda em Lisboa. Muito antes de ser natal para a maioria das pessoas,já o é para mim, é ver-me a correr de folhinha na mão, às 10h da manhã, pela Feira do Relógio, a atender a todos os pedidos da minha mãe: 1kg de amêndoa, meio de nós mais não sei quantos de frutos secos e as miniaturas da bolinha feitas a pedido.
Depois o aeroporto, uma mala extremamente pesada e eu a temer (e tremer) pelo excesso de peso. Lá dentro, uma confusão de filas que lembra o natal, os voos atrasados e os reencontro de amigos que também voltam à ilha.
O avião cheio de gente com sacos (ou sacos com gente) ,que, como eu, regressam a casa para passar o natal com os seus, a maioria estudantes que vão lendo os calhamaços, lembrando os exames em Janeiro.
E é quando me afundo na cadeira e aperto o cinto que, ignorando os de segurança que já sei de cor, começo a sentir o conforto de voltar a casa.
Aconchega-me o pensamento de ter mãe à minha espera, daquela que, muito antes de eu chegar começou a preparar o meu regresso, com o carinho de quem sabe que não olho com bom grado para o facto de o meu quarto se ter transformado numa espécie de quarto de arrumações, e ajeita-o a cada chegada minha; com a preocupação de quem enche o frigorífico com tudo aquilo que mais gosto.
Imagino as decorações de Natal; uma árvore no sótão, outra na sala, um arranjo debaixo da escada e as noitadas da mãe para ter tudo pronto a tempo e horas; a cozinha numa bagunça devido às broas, bolos e a sobremesa nova que não poderia faltar!
Saber que é sempre assim, ano após ano, reconforta-me o coração e faz-me ansiar por estes dias. Saber que exactamente tudo estará no mesmo lugar e que há coisas que permaneceram intocáveis desde o dia em que saí, tornando-se numa espécie de casa- museu da minha infância.
Os pensamentos levam-me ao sonho e, ainda antes do avião levantar, já eu adormeci, numa descontracção natural de quem apanha um avião como se fosse um autocarro.
Acordo minutos antes de aterrar, temendo a aterragem, mas ainda a tempo de olhar a minha ilha lá de cima e sorrir de felicidade por estar de volta.
Começo a imaginar quem estará à minha espera e antecipo o abraço apertado do reencontro, e depois todas as outras certezas, o sol, o quentinho, a sopa à minha espera, o quarto de princesa que permaneceu intocável todos estes anos, como se o tempo não tivesse passado por ali. O cheiro dos bolos, o acampamento de natal, o "estás mais magrinha", a visita à minha escola primária e secundária, os recantos, os corredores e as primeiras paixões.
Estar em casa é ter um conjunto de certezas que nos traz conforto, é ter a serenidade e voltar aos dias que passam devagar.
Começa ainda em Lisboa. Muito antes de ser natal para a maioria das pessoas,já o é para mim, é ver-me a correr de folhinha na mão, às 10h da manhã, pela Feira do Relógio, a atender a todos os pedidos da minha mãe: 1kg de amêndoa, meio de nós mais não sei quantos de frutos secos e as miniaturas da bolinha feitas a pedido.
Depois o aeroporto, uma mala extremamente pesada e eu a temer (e tremer) pelo excesso de peso. Lá dentro, uma confusão de filas que lembra o natal, os voos atrasados e os reencontro de amigos que também voltam à ilha.
O avião cheio de gente com sacos (ou sacos com gente) ,que, como eu, regressam a casa para passar o natal com os seus, a maioria estudantes que vão lendo os calhamaços, lembrando os exames em Janeiro.
E é quando me afundo na cadeira e aperto o cinto que, ignorando os de segurança que já sei de cor, começo a sentir o conforto de voltar a casa.
Aconchega-me o pensamento de ter mãe à minha espera, daquela que, muito antes de eu chegar começou a preparar o meu regresso, com o carinho de quem sabe que não olho com bom grado para o facto de o meu quarto se ter transformado numa espécie de quarto de arrumações, e ajeita-o a cada chegada minha; com a preocupação de quem enche o frigorífico com tudo aquilo que mais gosto.
Imagino as decorações de Natal; uma árvore no sótão, outra na sala, um arranjo debaixo da escada e as noitadas da mãe para ter tudo pronto a tempo e horas; a cozinha numa bagunça devido às broas, bolos e a sobremesa nova que não poderia faltar!
Saber que é sempre assim, ano após ano, reconforta-me o coração e faz-me ansiar por estes dias. Saber que exactamente tudo estará no mesmo lugar e que há coisas que permaneceram intocáveis desde o dia em que saí, tornando-se numa espécie de casa- museu da minha infância.
Os pensamentos levam-me ao sonho e, ainda antes do avião levantar, já eu adormeci, numa descontracção natural de quem apanha um avião como se fosse um autocarro.
Acordo minutos antes de aterrar, temendo a aterragem, mas ainda a tempo de olhar a minha ilha lá de cima e sorrir de felicidade por estar de volta.
Começo a imaginar quem estará à minha espera e antecipo o abraço apertado do reencontro, e depois todas as outras certezas, o sol, o quentinho, a sopa à minha espera, o quarto de princesa que permaneceu intocável todos estes anos, como se o tempo não tivesse passado por ali. O cheiro dos bolos, o acampamento de natal, o "estás mais magrinha", a visita à minha escola primária e secundária, os recantos, os corredores e as primeiras paixões.
Estar em casa é ter um conjunto de certezas que nos traz conforto, é ter a serenidade e voltar aos dias que passam devagar.
27/12/14
My favourite things :)
- Aquecer os pés (esfregá-los uns nos outros para aquecê-los antes de adormecer)
- Escorregar na cama, o frio dos lençois e o cheiro a amaciador
- Comer Chocapic "seco"
- Longos telefonemas
- Cartas, postais e encomendas
- O cheiro dos livros velhos
- Bibliotecas
- Dormir no chão num saco de cama
- Adormecer no sofá
- Acampar
- Danças,canções e peças de teatro ao cair da noite num acampamento de verão
- Conversar
- Manhãs de Domingo e idas ao mercado
- A luz do fim do dia a bater-me na cara
- O cheiro do café pela manhã
- Andar de bicicleta
- Chá quentinho
- Andar descalça na relva
- Dançar,dançar,dançar
14/12/14
De volta a Campo de Ourique
Às vezes volto ao
72 da Rua 4 da Infantaria. Sento-me no degrau do prédio da fente e fico a olhar
para o apartamento que me acolheu pela primeira vez nesta cidade.
Regressar a Campo
de Ourique é regressar à menina de 17 anos que se mudou de armas e bagens cheias
de sonhos para Lisboa e que em Lisboa descobriu o Mundo.
É voltar ao sótão
onde batia com a cabeça no teto e às noites no telhado a olhar a cidade a
dormir.
É voltar às
entrevistas, às câmaras,cassetes e microfones. Aos bolos da Bolinha, às tascas e
aos amigos velhotes que fizeram do bairro um sítio melhor. Porque o melhor
sítio são as pessoas.
Voltar a Campo de
Ourique é voltar à praça do mercado, ao eléctrico e aos Prazeres. Aos velhos da Parada.
Voltar a este bairro é voltar à farmácia da madrinha onde as velhotas aviam a receita com
meia hora de conversa.
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