O meu telemóvel tem duas semanas e já tem o ecrã partido. Às vezes pergunto-me como consigo tão bem cuidar de 20 crianças tao frágeis, sensíveis e pequeninas e não duro mais de dois minutos com um aparelho eletrónico.
Se é coisa que 2016 me ensinou é a desprender-me dos bens materiais. Despedi-me do meu surface que foi atropelado, roubaram-me o telemóvel no elétrico, e, agora, passado duas semanas, parto o ecrã do telemóvel novinho em folha.
E sei, são só bens materiais, mas gostava de ter desfrutado um pedacinho mais de um telemóvel impecável com o dourado a reluzir.
Universo, caso ainda não tenhas percebido eu já percebi a lição :) o mais importante não são os bens materiais. Chega de testes!
São linhas simples e descomprometidas que narram as minhas descobertas diárias na cidade que me viu chegar de armas e bagagens. Sentimentos, caras, conversas, olhares, descobertas, tudo o que passa por mim e me faz parar algum tempo, que me faz ficar imóvel enquanto tudo se move ao ritmo estonteante da cidade "Happiness is only real when shared." (Christopher McCandless)
15/12/16
10/12/16
Diários de uma Monitora (sobre os rituais)
Se era coisa que adorava quando era miúda era esperar por algo. Saber que depois das férias começava a escola, que vinha o Outono e com ele os meus anos, o S. Martinho e o Natal, o Carnaval a Páscoa e novamente o Verão e todas as tradições e rituais que inventamos e que se repetiam ano após ano.
Adorava a forma como me preparava para cada uma delas, o dia em que eu e a mãe forrávamos os livros e colávamos cuidadosamente as etiquetas, o meu saco do pão-por-deus, o calendário do advento que antecipava o natal, o embrulhar as prendas ao som do natal dos hospitais, pensar no fato de carnaval,etc
Os rituais que acompanham a natureza e nos embalam em cada estação, fazem-nos aceitar (e festejar) a passagem do tempo e receber em nós todos os dias do ano como um dia único. Acalmam-nos pela sua previsibilidade. Aconteça o que acontecer virá sempre o Natal :)
É por isso, que, este ano, decidi voltar às tradições e tento ao máximo criar, nas nossas rotinas, rituais que nos fazem preparar em conjunto cada estação, cada acontecimento em sintonia com a natureza em especial com as crianças mais pequenas. Rituais esses que nos deixam mais tranquilos e serenos perante o mundo caótico em que vivemos, que não nos tornam tão ansiosos. Que nos fazem parar, preparar ,e, sobretudo esperar (que cada vez é mais difícil nas nossas crianças) pondo todo o nosso amor antes da chegada de qualquer acontecimento, fazendo com que depois vivamos esse momento com mais profundidade e sentido.
Por isso, este ano, esperamos pelo S.Martinho preparando as nossas lanternas, esperamos que o feijão verde e o tomate crescessem na nossa horta e agora pelo natal, decorando a nossa sala devagarinho e respondendo aos desafios do calendário do advento que nos fará ser pessoas pequeninas melhores.
Sabendo que é importante criar tradições e rituais novos, é também importante manter tudo o que eles já trazem de outros anos, de outras professoras e respeitar as dinâmicas já implementadas em cada escola. Esse equilíbrio é necessário, é um balanço entre as nossas expectativas e tudo aquilo que eles já trazem com eles e é aqui que temos de encontrar um equilíbrio.
Adorava a forma como me preparava para cada uma delas, o dia em que eu e a mãe forrávamos os livros e colávamos cuidadosamente as etiquetas, o meu saco do pão-por-deus, o calendário do advento que antecipava o natal, o embrulhar as prendas ao som do natal dos hospitais, pensar no fato de carnaval,etc
Os rituais que acompanham a natureza e nos embalam em cada estação, fazem-nos aceitar (e festejar) a passagem do tempo e receber em nós todos os dias do ano como um dia único. Acalmam-nos pela sua previsibilidade. Aconteça o que acontecer virá sempre o Natal :)
É por isso, que, este ano, decidi voltar às tradições e tento ao máximo criar, nas nossas rotinas, rituais que nos fazem preparar em conjunto cada estação, cada acontecimento em sintonia com a natureza em especial com as crianças mais pequenas. Rituais esses que nos deixam mais tranquilos e serenos perante o mundo caótico em que vivemos, que não nos tornam tão ansiosos. Que nos fazem parar, preparar ,e, sobretudo esperar (que cada vez é mais difícil nas nossas crianças) pondo todo o nosso amor antes da chegada de qualquer acontecimento, fazendo com que depois vivamos esse momento com mais profundidade e sentido.
Por isso, este ano, esperamos pelo S.Martinho preparando as nossas lanternas, esperamos que o feijão verde e o tomate crescessem na nossa horta e agora pelo natal, decorando a nossa sala devagarinho e respondendo aos desafios do calendário do advento que nos fará ser pessoas pequeninas melhores.
Sabendo que é importante criar tradições e rituais novos, é também importante manter tudo o que eles já trazem de outros anos, de outras professoras e respeitar as dinâmicas já implementadas em cada escola. Esse equilíbrio é necessário, é um balanço entre as nossas expectativas e tudo aquilo que eles já trazem com eles e é aqui que temos de encontrar um equilíbrio.
26/11/16
Cresçam forte,forte,forte!
Fui ao shopping buscar um telemóvel e saí de lá com sementes de tomate e feijão verde e zero de telemóvel. Que tudo na nossa horta cresça forte, forte assim como vocês. Bora lá falar sobre agricultura ao som de mão verde. Ajuda aceita-se!
23/11/16
Imigrarte
Daqueles fins-de-semana bons em que todas as culturas que vivem em Lisboa uniram-se no Ateneu e mostraram que a convivência pacífica ainda é possível e que afinal somos todos do mundo porque a nossa casa é onde nos sentimos bem e queremos estar. Espero que um dia os meus filhos possam beber deste espírito multicultural; já não no Ateneu que entretanto será um hostel...mas isso já é outra conversa.
Enquanto não percorro o mundo todo é aqui que vou descobrindo pedacinhos dele nos cantinhos escondidos da cidade onde é possível viajar sem sair do mesmo sítio.
Enquanto não percorro o mundo todo é aqui que vou descobrindo pedacinhos dele nos cantinhos escondidos da cidade onde é possível viajar sem sair do mesmo sítio.
19/10/16
Outubro
A mãe sempre me contou que o pai fazia anos dia 14 e, como eu gostava muito de festas, decidi nascer no dia 15 a ver se ainda chegava a tempo à festa de aniversário do meu pai.
Sou filha do Outono, e nestes dias que nem chove nem dá sol pedi muito para que não chovesse para que pudesse ter todos os meus amigos à volta do meu bolo de aniversário. No entanto, fica da vez mais difícil reunir, não só a vida levou-os para muito longe, como parece que esta cidade afasta as pessoas. Penso que se o meu aniversário não é suficiente para reuni-los a todos que outro motivo terei?
O importante é focar aqueles que fizeram questão de estar presente. A família, que não me falha nunca, e uma mão cheia de amigos que decidem permanecer, muitas vezes aqueles com quem menos estamos.
E que venham os 25!
com amor,
BC
Sou filha do Outono, e nestes dias que nem chove nem dá sol pedi muito para que não chovesse para que pudesse ter todos os meus amigos à volta do meu bolo de aniversário. No entanto, fica da vez mais difícil reunir, não só a vida levou-os para muito longe, como parece que esta cidade afasta as pessoas. Penso que se o meu aniversário não é suficiente para reuni-los a todos que outro motivo terei?
O importante é focar aqueles que fizeram questão de estar presente. A família, que não me falha nunca, e uma mão cheia de amigos que decidem permanecer, muitas vezes aqueles com quem menos estamos.
E que venham os 25!
com amor,
BC
14/10/16
Estes dias
As viagens são para mim, a melhor forma de introspeção. Rumei ao norte com o objetivo de, como balança que sou, balançar a minha vida e perspetivar o próximo ano. Mas deixei-me envolver pelo ambiente, pelas pessoas e conclui assim mais um capítulo da minha vida. Com esta viagem acabei mais um diário e apaixonei-me pelo norte.
Mal posso esperar para começar mais um capítulo :)
Mal posso esperar para começar mais um capítulo :)
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